Capítulo 13 - Dont walk away
–Acabou? - aquilo foi como uma facada em seu coração, ela sentia as lágrimas chegarem. - Isso é alguma piada? Michael, se foi por causa daquelas montagens...
–Não é por isso, eu acredito em você.
–Então é por que, hm? Quero dizer, estava tudo perfeito entre nós. Eu sei que esses últimos meses foram difíceis, mas podemos superar isso...podemos esquecer.
–Talvez seja melhor você esquecer de mim.
–Esquecer? - as lágrimas já escorriam. - O que houve com o ''te amarei até o fim dos tempos''?
–Nada dura para sempre.- seguiu um silêncio no quarto.
–Mas eu só quero saber o por quê: me de motivos para estar terminando comigo. Foi algo que fiz ou deixei de fazer?
–Não é com você, é comigo. Qual é Lucy, já olhou para nós? Somos duas pessoas completamente diferentes.
–Ah, olha só para você: esta falando como os tabloides.
–Do que você esta falando?
–''Michael Jackson merece uma mulher mais elegante. Lucy Ray é vadia demais para ele''- dizia com uma voz de deboche.- Uma mulher com mais classe? Uma diva? Por que não vai lá e se fode com sua amiguinha Brooke Shields? Ou até mesmo aquela que você tinha um amor platônico, Diana Ross. Melhor ainda: aquela tal de liberian girl, como se chama mesmo? Elizabeth Taylor não é?
–Isso não tem nada a ver, pare de ser tão infantil. - nisso o seu tom de voz já havia aumentado.
–Eu? Infantil? Falou o homem de 33 anos que pensa que é o Peter Pan. E quer saber, você quer que eu te esqueça? Tudo bem. Vamos fingir que nunca nos amamos...
–Fingir? O nosso amor era uma coisa fingida, nunca percebeu?
Essas palavras destruíram seu coração em pedaços, foi como uma facada, como se tivessem atacado sal em seus cortes. Michael desejou nunca ter dito isso para ela.
–Tudo bem. Foi tudo como um sonho.- ela pegou sua bolsa e saiu andando. Michael levantou de sua cama e foi atrás dela.
–Lucy, espere. Eu nunca quis dizer isso, volte. Vamos conversar melhor - ele pegou em seu braço - eu sinto mui...
–Tire suas mãos de mim seu bastardo - gritava em meio as lágrimas de odio - nunca quis dizer isso é? Bem, mas já disse. E quer saber de uma coisa? Eu te odeio. Odeio, odeio, odeio... e queria nunca ter te conhecido.
Ela virou as costas, e ele pegou em seu braço de novo. Quando ela se virou para Michael seus olhos estavam cheios de lágrimas. Ele a puxou para perto, mais ela recusava e dava socos em seu peito, gritando ''te odeio, te odeio, te odeio''. Ele segurou seus braços e a abraçou para acalma-la.
–Isso não é justo Michael. Se nunca me amou era só dizer. Por que me iludiu durante todo esse tempo? O que eu fiz?
–Eu sei. Espero que um dia você entenda e me perdoe.
–Perdoar? - ela se afastou dele, foi andando em direção a porta e saiu. Michael foi atras dela, e a viu entrando em seu carro.
- Nenhuma mulher vai te amar como eu. E seja feliz com a pessoa que você achar, que ela te faça feliz como eu nunca fiz.
Ela entrou no carro e saiu. E chorava, chorava e chorava. Michael entrou em sua casa, socava as paredes e jogava tudo que via pela frente no chão. Estava com raiva, não de Lucy, dele mesmo.
***
Michael se arrependeu muito do que fez, queria dar melhores explicações para Lucy. Ele então tentou ligar para seu celular, para o telefone de sua casa, mas sem resultado. Decidiu então ir até a casa dela. Chegando lá bateu na porta e ninguém atendia.
–Lucy, sou eu. Por favor, deixe eu falar com você. - Nada de respostas. Ele ficou no mínimo meia hora a chamando, até que a empregada apareceu na porta. - Desculpe o incômodo, mas Lucy está?
–Não está não. Por acaso aquele carro ali parado não é do dela?
Michael se virou e viu o carro de Lucy, ele nem tinha notado que estava lá. Agradeceu a empregada e foi até o carro, bateu na janela e encontrou Lucy lá dentro chorando.
–Vá embora.
–Não posso, não sem explicar direito o que está acontecendo. Pode abrir a porta, por favor? - Ela o ignorou. - Eu sei que você está brava, e tem motivos para ficar. Mais eu só quero me explicar melhor Lu, por favor. Eu nunca, nunca, nunca queria ter tido aquilo.- Ela destravou a porta do carro, e Michael entrou e sentou-se do lado dela.
–O que queria dizer então? Tem coisa pior do que ''eu nunca te amei''?
–Na verdade tem sim.Nos ultimos 3 dias eu vinha recebendo ameaças de fãs (ou que se dizem ser fãs), e elas disseram pra que a gente termine se não, bem...elas iriam te matar.
–Me...o que?- Ela ficou sem reação, em choque.- Suas fãs?Michael, ela não podem fazer isso.
–Não, não podem. Então fiquei com medo, porque não posso te perder.
–Mas já me perdeu.
–Mas pelo menos você estará em segurança.
–E por que você mentiu? Por que não me contou a verdade?
–Não queria te deixar assustada. Mas acho que de um jeito ou de outro deixei não é?
–Mas por que não ligou para a policia ou algo do tipo?
–Isso iria gerar um grande tumulto na mídia não acha? E mesmo fazendo essas ameaças horríveis, continuam sendo minhas fãs e...
–Fãs? Michael, que eu saiba os fãs querem o bem de seus ídolos. Me ver morta iria te deixar bem por acaso? -Michael colocava a mão sobre a cabeça, meio que se estivesse confuso.- Fãs de verdade jamais fariam isso com você.
–Lucy, por favor: não peça para eu escolher entre você e elas.
–Não estou pedindo nada, já está bem na cara que você as escolheu. Não vou te pressionar, faça a escolha que você quiser. Mas saiba que eu sou sua fã número um.- Ela se aproximou dele e o abraçou, segurando para as lágrimas não caírem.
–Você sabe que eu sempre vou te amar não é? Não importa o que aconteça. Isso é temporário, só até as coisas se esfriarem. Eu vou voltar Lu, eu prometo. Pense assim: você entrará em turne em semanas não é? Assim que ela acabar nós voltamos. É questão de um ano.
–Um ano é tempo demais sem você Mike.- Ela já não aguentou e começou a chorar. Ele deu um beijo em sua testa e enxugou suas lágrimas.
–Eu sei, mas é melhor do que não poder te ter nunca mais.
Ela encostou a cabeça em seu ombro enquanto Michael acariciava seu cabelos, e ficaram assim por alguns minutos, ou talvez horas.
–Lucy, eu preciso ir.- Ambos sairam do carro, e se abraçaram de novo.- Boa sorte na sua turnê.- Michael estava indo em direção a seu carro quando Lucy gritou:
–Promete que vai voltar pra mim?
Ele correu em sua direção, pegou em sua cintura e a beijou. Com os rostos colados, disse suavemente:
–Eu prometo.
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Capítulo 14 - Life is disgustin
Essa seria a turnê de seu 4º albúm. Estava ocorrendo tudo bem, ninguém suspeitava que estivesse acontecendo algo com ela, o seu jeito de agir era tão natural. No primeiro mês da turnê Michael ligava para ela toda noite, depois uma vez por mês, até que parou de ligar de vez. ''Deve ser o trabalho, tenho certeza. Ele sempre foi tão ocupado'', pensava consigo mesma. O tempo foi passando, e quando ela se deu conta já havia seis meses em que não falava com Michael.
Lucy tinha voltado para sua terra natal, São Paulo, para fazer show. O tempo lá havia sido muito agradável, e depois foi fazer show no Rio de Janeiro: ela havia se encontrado com parentes e amigos de infância, tudo foi muito bom, inclusive as lembranças que vinham a tona de sua mãe. Os shows no Brasil já haviam acabado, e ela daria uma entrevista para seguir com sua turnê em outros países. Nessa entrevista foram perguntas básicas sobre seu trabalho, futuros planos, até começar a perguntar sobre seu relacionamento:
–Sete meses longe de seu noivo: isso deve estar sendo difícil para você, não?
–Na verdade...não estamos mais juntos.
–NÃO? Poxa que coisa chata. Não quero me intrometer muito, mas o que aconteceu?
–Bem...achamos melhor darmos um tempo...
–Eu sinto muito, muito mesmo. Bem, acho que perdi a aposta.
–Perdão?- perguntou Lucy em um tom de indignação.
–Ah desculpe...é que nessa manhã estavam publicando fotos de Michael com uma mulher, e diziam que eles haviam se casado. Mas achei tudo aquilo uma mentira, porque achei que vocês..bem, você sabe.
–Que...que mulher?
–Lisa Marie. Filha de Elvis Presley. Desculpe tocar nesse assunto.
Toda essa informação de uma só vez começou a deixa-la tonta. Ela abaixou sua cabeça e dava longos suspiros. Depois de uns segundos de silêncio ela levantou sua cabeça e com um sorriso meio forçado e um tanto quanto triste disse:
–Não tinha visto não. Acho que esqueceram de mandar convite de casamento para mim.
Assim que a entrevista acabou Lucy foi para o hotel onde estava hospedada, e na porta teve que aguentar uma multidão de paparazzis perguntando ''é verdade que Michael te traiu?'' ''por que ele te trocou?''. E como se não bastasse, assim que ela entrou no hotel, na TV do saguão estava falando disso. ''Não pode ser verdade.'' Ela foi correndo para seu quarto, e sua tontura só piorava. Ela foi até o banheiro, se ajoelhou em frente ao vaso e vomitou. ''Ele me trocou. Se casou com outra. Me esqueceu''. A tontura ia passando quando seus pensamentos deixavam de ser uma coisa surreal, e ela desabou a chorar. Caiu nela um sentimento d tristeza, solidão, raiva. Com suas próprias mãos ela quebrou o espelho do banheiro, não sentiu dor devido a tamanha raiva que sentia. Ela entrou na banheira e lá ficou chorando por horas e horas.
Horas se passaram até que ouviu baterem desesperadamente na porta.
–Lu? Pelo amor de Deus abra essa porta, ou vou arromba-la.
Pela voz ela soube quem era:era uma de suas dançarinas, Denise. Na verdade ela era mais que isso, era sua melhor amiga.
- Lembrei que tenho a chave daqui, entrou vou entrar. Meu Deus, que bagunça de quarto Lu, você tem que aprender a deixar as coisas mais organizada e AI MEU DEUS.- Tamanho choque ela levou ao ver sua melhor amiga molhada dentro da banheira com as mãos ensanguentadas.- O que aconteceu? Ok ajuda primeiro e perguntas depois. Vou pegar um roupão para você.
Ela saiu correndo do banheiro e foi direto ao closet pegar um roupão e uma toalha. Assim que pegou entrou no banheiro e pegou Lucy no colo, a enrolando no roupão e a secando com a toalha.
–Eu vou cuidar dessas suas mãos, não se preocupe. Só preciso de algo para enfaixa-las.- Para sua sorte no banheiro havia um kit de socorros e pegou uma faixa.- Ainda há cacos nas suas mãos, vou tomar o maior cuidado para tira-los dai.- Ela a deitou na cama e pegou com cuidado em sua mão e foi arrancando cuidadosamente.- Mil desculpas se te machucar.- Depois que tirou tudo e enfaixou sua mão, ela deitou a cabeça de Lucy em seu colo.
–Ele mentiu para mim Denise. Disse que ainda me amava. Eu sabia que estava acontecendo algo, assim que ele parou de me ligar.
–Eu sei. Ele não vale a pena Lu. Que homem no mundo desprezaria alguém tão linda como você?
–Não começa com esse papo, por favor. Todos fizeram isso comigo. Eu achei que com o Michael seria diferente, ele parecia diferente. Havia algo nele de especial, mais me enganei. Sou uma inútil mesmo.
–Hey, não coloque a culpa toda em você. A questão é que ele te iludiu demais, o que fez você pensar que ele fosse diferente. Você começou a criar um Michael que não existe: um homem carinhoso, gentil, engraçado, fofo, romântico. Mais esse Michael não existe.
–Existe. Mas agora esse Michael já é de outra. Eu só.. só queria ter notado antes que estava me iludindo.
–Você ainda vai achar alguém assim, e vai ver que não é ilusão.
–Você não esta entendendo, eu não quero outra pessoa: eu quero o Michael.- Seus olhos se encheram de lágrimas de novo, e de novo desabou a chorar, e até soluçava. Denise começou a sentir a dor da amiga, e chorou também.
–Tudo bem, eu não tenho os melhore conselhos do mundo, mas estou aqui.
–Eu sei, as vezes só um simples abraço basta.


